sábado, 29 de março de 2008

A vitória de Cristina Kirchner (Argentina 10 X Brasil 0 )

Quando nos chegam as notícias sobre a greve realizada pelos produtores rurais argentinos, que aparentemente colocam a presidente Cristina Kirchner em xeque, muitos brasileiros pensam que esta é uma demonstração de fraqueza do país vizinho.
Porém, esta é uma linha de raciocínio equivocada, pois nos serve claramente de alerta para o poder de mobilização da Argentina.
Hoje dona Cristina está acuada, com a população encontrando prateleiras vazias nos supermercados e realizando "panelaços" pelas ruas. Como boa política, ela já percebeu que terá toda mobilização que quiser a seu favor, basta saber manobrar; seguindo a tradição de Evita Perón - com quem sempre é comparada - logo ela estará lançando vôos mais altos.
O problema é que eles serão sobre nossa cabeça, do Brasil sempre desunido e com cada um pensando apenas em si e em tirar vantagem; afinal vivemos no país da lei de GERSON. (http://www.terra.com.br/istoe/politica/1999/12/22/003.htm)
No Brasil, as únicas manifestações recentes que tivemos foi nos idos de 1992, com o movimento dos caras-pintadas, porém este movimento foi claramente influenciado pela mídia, notadamente pela revista Veja e pela Rede Globo, que na ocasião exibia a mini-série Anos Rebeldes (acho que foi um mea-culpa, pois o movimento era contra os desmandos do presidente Collor que fora justamente eleito com a ajuda da emissora carioca ).

Já na Argentina, o movimento "Mães da Praça de Maio" fez marchas em 1.500 quintas-feiras consecutivas, em busca de saber do paradeiro de seus filhos, muitos mortos pelo regime militar de 1976 - 1983. Conseguiram a punição dos culpados, e saíram da praça de cabeça erguida, todas agradecidas ao outro Kirchener, o ex-presidente Néstor, no caso marido da atual presidente.

Quando vemos a determinação destas pessoas, destas mães que saíam em luta mesmo durante a ditadura percebemos o quanto nós brasileiros somos covardes em lutar por nosso direitos e o medo ridículo que temos de nos expor. Em nossa sociedade, as pessoas não assumem aspirações coletivas, nem participam de atividades em prol da comunidade.
Somos todos muito espééérrrrtos demais para sermos unidos como povo, como país.
E os argentinos vão avançando com sua bandeira democrática, como um país coeso e coerente com as aspirações de uma grande nação; temos iguais desejos, porém sempre esperamos que o outro (o nosso vizinho, o nosso prefeito, o governador, o presidente, ou mesmo Deus) faça o que não temos determinação de fazer.
O país do futuro continuará para o amanhã, assim como o regime que nunca começamos.
Se continuarmos com este comportamento, muito em breve nossos hermanos estarão nos passando a perna e assumindo a dianteira da América do Sul, relegando-nos de vez a um papel secundário na história mundial.
Cuidado com o trator chamado Argentina !




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