terça-feira, 11 de março de 2008

Morales, Chávez e as lâmpadas da China


Vendo um documentário sobre a China, descubro que nos meados do século VIII o país viveu uma situação singular com relação a matriz energética, baseada no carvão, que apresentava um alto valor comercial: a prospecção do mineral exigia uma quantidade cada vez maior de brocas de aço, cujas fundições exigiam cada vez mais carvão para seus fornos, uma roda viva que se auto-alimentava e inflacionava os preços. Bom, no século seguinte eles se acertaram e descobriram a pólvora (literalmente), frase que ainda hoje é utilizada para ilustrar uma grande idéia.
Já em nossa América do Sul, ainda não aprendemos a lição, nos sujeitando a qualquer idiota de plantão que se meta a dar conselhos em como devemos tratar de nossos assuntos; se o camarada tem dinheiro, ainda mais valor damos à seus arroubos de ignorância e não raro ainda lhe agradecemos por embarcarmos numa furada.
Evo Morales assumiu a presidência da Bolívia e, seguindo seu mestre Chávez, invadiu as unidades petrolíferas que economicamente sustentavam o país. O resto a gente já sabe, a Petrobrás saiu de lá com o rabo no meio das pernas ( Afinal Lula é mui amigo e companheiro) e os investimentos estrangeiros minguaram, condenando a Bolívia a estagnação - e por conta desta já começa a faltar gás para os próprios bolivianos.
Em breve será a vez dos argentinos (fiquem de olho em dona Cristina, ela está doida para tungar parte do gás que vem para o Brasil).
Para resolver o problema da Bolívia, o comandante em chefe da Venezuela já deu a solução: através do Alba ( seu correspondente da Alca americana) irá distribuir lâmpadas de baixo consumo para as residências bolivianas.
Quer dizer, a Bolívia deixa de aumentar sua produção de gás, até para o consumo interno, por conta dos devaneios do Sr.Chávez, que depois aparece como salvador da pátria alheia com 5,8 milhões de lâmpadas. Sem estas, as usinas termoelétricas da Bolívia teriam que importar gás para atender a demanda.
O Sr.Morales diz que isto tudo faz parte de seu Plano Nacional de Eficiência Energética; apareceu até mesmo um Ministro de Hidrocarbonetos (eta nome desgraçado para um ministério; isto me lembra os soldados do exército boliviano na petrobrás) para dizer que é preciso "incentivar a cultura da redução de gasto de energia".
Tudo parece perfeito, ainda mais para os chineses do início deste texto, que produziram e venderam as tais lâmpadas.
Parece-me que esta parte da América está condenada a passar a eternidade tirando carvão para fazer brocas para tirar carvão para fazer brocas para tirar carvão...
Quando descobriremos a pólvora ? (sem analogia com qualquer aventura militarista)


link da notícia, para não pensarem que é mentira:
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/03/080310_boliviaenergia_mc_ac.shtml

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