domingo, 17 de fevereiro de 2008

A Capoeira e o Perdão de Nobuo Fujita



Volta às aulas, filas nos semáforos e nas entradas/saídas de escola, minha irritação em cada um destes lugares - ou melhor, intolerância com os que se acham espertos e cortam os caminhos.


A minha impaciência vem do descumprimento de regras que muitas vezes só existem em minha cabeça e o suposto infrator - que muitas vezes trato como inimigo - nem sempre sabe de minhas emoções, sou o único a sofrer por estas coisas desnecessárias.


Na televisão passa um documentário sobre o Brasil, um menino de 13 anos, que vive em Salvador e que, graças ao trabalho de um mestre em capoeira, libertou-se da mágoa de aos 05 anos ter visto o pai morrer baleado; antes ele era um garoto que vivia pela rua, na ilusão de uma vida fácil, o desejo de vingança no coração. Agora ele é um sorriso que se sobressai na roda, jovens que jogam a dança que possivelmente veio da África mas que tem um nome tupi-guarani, referente ao "mato baixo" em que originalmente jogavam.


Penso nas diversas situações de perdão e reconciliamento que existem pelo mundo e uma sobressai-se de forma honrosa, a história de Nobuo Fujita.


Este piloto da Força Aéra Japonesa, então com 31 anos, conseguiu em 09 de setembro de 1942 a proeza de ser o único a bombardear o solo continental norte-americano ( com exceção dos ataques de 11/set/2001). Conseguiu seu intento embarcando num submarino com seu avião desmontado; levado à costa do estado do Oregon, montou sua aeronave e partiu para a missão, despejando bombas incendiárias sobre a floresta da cidade de Brookings. Dois dias depois ele repetiu sua missão e partiu, certo de que as matas estavam em chamas. Ocorre que chovera naqueles dias e os focos de incêndio apagaram-se por si só; também não houve qualquer vítima em terra.


Como todos sabem, a guerra acabou, o tempo passou.


Em 1962 a história começa a ficar emocionante, quando Nobuo é convidado e aceita visitar a cidade que um dia atacou. Temendo ser julgado e morto, levou consigo seu sabre imperial, o mesmo portava nos ataques.


Porém, foi bem tratado e a empatia foi mútua, tanto que recebeu o título de Cidadão Honorário e, em gratidão, doou seu sabre para cidade, onde hoje está exposto no museu municipal.


Na floresta, plantou uma sequóia no exato local onde caiu uma de suas bombas. Junto à terra, após sua morte, parte de suas cinzas foram despejadas por sua filha, atendendo assim o seu desejo. Sem rancor, todos se reconciliaram, viveram e morreram de forma mais digna.



Se as pernas que lembram uma luta e as próprias bombas deram lugar à redenção, acredito que ainda temos um chance !



Para maiores informações, acesse:
http://www.elpais.com/articulo/reportajes/samurai/solitario/bombardeo/America/elpepusocdmg/20070805elpdmgrep_5/Tes

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