No final de minha juventude, confrontando com início das responsabilidades da vida adulta, tive muitos pesadelos e procurei transportá-los num texto, que depois consegui publicar pela extinta editora Ateniense, ao qual dei o nome sugestivo de "A Nave dos Mortos".
Confesso que hoje minha autocrítica vê algumas falhas no enredo e que achei por bem não abordar mais este tema; quando veio a inspiração de criar este blog, em pleno início de manhã de quarta-feira de cinzas, a primeira regra que me impus foi: nada de falar sobre morte.
Assim como o regime que vez ou outra quebramos, não resisti e fiz este texto. Vamos dizer que ele seja igual ao pastel gorduroso e o churro de doce de leite de minha dieta. A gente sabe que faz mal, mas faz, apenas para depois voltar com mais força ao nosso ideal.
Lembro-me de um comentário de meu tio, o historiador e pesquisador Luis Soares de Camargo, sobre a morte nos tempos atuais: "hoje as pessoas morrem sempre à noite e sozinhas...".
Pois bem, estamos no início do outono, que seria o anoitecer das estações climáticas, época que as folhas começam a cair e o tempo a esfriar; tempo de reflexão, de elevação do estado de espírito após a quaresma e a comemoração da páscoa cristã.
Vamos dizer que seja um momento oportuno para tratar do tema e, como não poderia deixar de ser, a morte da pequena Isabella vem a se somar ao rol de aflições que nos atingem nos tempos atuais, que incluem ainda a violência dos constantes roubos e assaltos.
Porém, todas estas preocupações se desfazem diante de uma sentença de morte; não são todos os países que adotam a pena capital, mas é certo que a natureza - ou o Criador - dotam cada ser de um tempo único e os avanços da medicina nem sempre permitem reverter a situação mas tão somente dar uma estimativa sobre o tempo de vida que nos resta.
O jornalista alemão Walter Schels junto com a fotógrafa Beate Lakotta percorrerão alguns hospitais da Alemanha e contataram algumas pessoas que estavam tendo o seu veredito de morte.
A proposta apresentada foi de fazer a foto naquele dia e depois da morte consumada; apesar da abordagem direta e fria, muitos toparam participar, deixando-nos as imagens de rostos que nos olham e, a exemplo dos antigos romanos, parecem nos dizer "CARPE DIEN" (aproveite o seu dia):


Este é Beate Taube, 44 anos, 16/01/2004 e em 10/03/2004.


Heiner Schmitz, 52, 19/11/2003 ao receber o diagnóstico e morto em 14/12/2004. Dizia ser atleta e que jogava futebol, porém fumava.


A história de Gerda Strech, 68 anos, não foi muito diferente. Após trabalhar toda a vida numa fábrica de sabão, criando os filhos sozinha, conseguiu aposentar-se e, ao saber da doença, ironizou dizendo que o câncer veio junto com o fim do trabalho. A filha procurou consolá-la, porém ela disse que seu sofrimento seria breve, e de fato foi: fotos em 05/01/2003 e 14/01/2003.
Depois de tantas mostras de nossa brevidade terrena, acredito que devemos refletir seriamente sobre nossas prioridades e nossas relações com a família e amigos.
Estas fotos fazem parte da exposição Life Before Death, em exposição de 09/abril a 18/maio/2008 na galeria Wellcome Colletion de Londres.
Para quem quiser saber mais:
http://www.guardian.co.uk/socyety/gallery/2008/mar/31/lifebeforedeath?
Vamos dizer que seja um momento oportuno para tratar do tema e, como não poderia deixar de ser, a morte da pequena Isabella vem a se somar ao rol de aflições que nos atingem nos tempos atuais, que incluem ainda a violência dos constantes roubos e assaltos.
Porém, todas estas preocupações se desfazem diante de uma sentença de morte; não são todos os países que adotam a pena capital, mas é certo que a natureza - ou o Criador - dotam cada ser de um tempo único e os avanços da medicina nem sempre permitem reverter a situação mas tão somente dar uma estimativa sobre o tempo de vida que nos resta.
O jornalista alemão Walter Schels junto com a fotógrafa Beate Lakotta percorrerão alguns hospitais da Alemanha e contataram algumas pessoas que estavam tendo o seu veredito de morte.
A proposta apresentada foi de fazer a foto naquele dia e depois da morte consumada; apesar da abordagem direta e fria, muitos toparam participar, deixando-nos as imagens de rostos que nos olham e, a exemplo dos antigos romanos, parecem nos dizer "CARPE DIEN" (aproveite o seu dia):


As imagens acima são de Edelgard Clavey, 67 anos. A primeira foto é de 05/12/2003 e a da morte em 04/01/2004, portanto um mês depois.




Este é Beate Taube, 44 anos, 16/01/2004 e em 10/03/2004.


Heiner Schmitz, 52, 19/11/2003 ao receber o diagnóstico e morto em 14/12/2004. Dizia ser atleta e que jogava futebol, porém fumava.


A história de Gerda Strech, 68 anos, não foi muito diferente. Após trabalhar toda a vida numa fábrica de sabão, criando os filhos sozinha, conseguiu aposentar-se e, ao saber da doença, ironizou dizendo que o câncer veio junto com o fim do trabalho. A filha procurou consolá-la, porém ela disse que seu sofrimento seria breve, e de fato foi: fotos em 05/01/2003 e 14/01/2003.
Depois de tantas mostras de nossa brevidade terrena, acredito que devemos refletir seriamente sobre nossas prioridades e nossas relações com a família e amigos.
Estas fotos fazem parte da exposição Life Before Death, em exposição de 09/abril a 18/maio/2008 na galeria Wellcome Colletion de Londres.
Para quem quiser saber mais:
http://www.guardian.co.uk/socyety/gallery/2008/mar/31/lifebeforedeath?

Kirchner em xeque, muitos brasileiros pensam que esta é uma demonstração de fraqueza do país vizinho.





































